Windsor Créditos fotográficos: King's Church International (Unsplash)

Windsor

Windsor alberga o castelo real habitado mais antigo do mundo, fundado por Guilherme o Conquistador, com a Capela de São Jorge, o Grande Parque e Eton College junto ao Tamisa.

O castelo real habitado mais antigo do mundo e a cidade que cresceu à sua volta

Windsor fica na margem sul do Tamisa no condado de Berkshire, a cerca de 35 quilómetros a oeste de Londres e a menos de uma hora de comboio desde as estações de Waterloo ou Paddington. Para os viajantes portugueses e brasileiros, a cidade é acessível através de voos diretos desde Lisboa e Porto para o aeroporto de Heathrow, situado a apenas 13 quilómetros de Windsor — o que torna a cidade uma paragem natural no início ou no final de qualquer itinerário britânico. Quem parte do Brasil pode chegar igualmente através de Heathrow com escala nos principais hubs europeus, integrando Windsor comodamente numa rota mais ampla pelo sul de Inglaterra. O Eurostar desde Paris, com correspondência a partir de Lisboa via avião, constitui uma alternativa para quem prefere evitar os aeroportos londrinos.

O Castelo de Windsor é o castelo habitado de forma contínua mais antigo e maior do mundo. Fundado por Guilherme o Conquistador pouco após a conquista normanda de 1066 e ampliado por quase todos os monarcas subsequentes, serve como residência real há quase mil anos sem interrupção. Não é um museu, nem uma ruína romântica, nem uma reconstrução: é um palácio real ativo onde o rei reside regularmente, recebe chefes de Estado e preside cerimónias oficiais. Quando o estandarte real tremula sobre a Torre Redonda, o rei está em casa — um detalhe que confere a cada visita uma qualidade de imediatez que nenhum conceito museológico consegue replicar.

Para os visitantes portugueses e brasileiros, Windsor guarda uma dimensão histórica pouco conhecida mas significativa: a Casa Real britânica leva o nome deste castelo desde 1917, quando a família real abandonou o apelido alemão Saxe-Coburgo-Gota durante a Primeira Guerra Mundial. Antes dessa mudança, a dinastia partilhava raízes com várias casas reais europeias — incluindo a portuguesa: o rei D. Fernando II de Portugal, pai de D. Pedro V e marido de D. Maria II, era príncipe de Saxe-Coburgo-Gota, da mesma casa ducal de que provinha o príncipe Alberto, marido da rainha Vitória. Windsor e a dinastia de Bragança partilham assim uma origem comum que poucos visitantes portugueses têm presente.

O Castelo de Windsor

O interior do castelo divide-se em três áreas principais para os visitantes. Os Aposentos de Estado albergam uma das maiores coleções de arte real do mundo: obras de Rembrandt, Rubens, Van Dyck, Canaletto, Holbein e Gainsborough convivem com armaduras, porcelana de Sèvres e mobiliário acumulado pela Coroa ao longo de séculos. Para os visitantes portugueses familiarizados com o Museu Nacional de Arte Antiga em Lisboa ou com os palácios de Sintra, os Aposentos de Estado oferecem um ponto de comparação fascinante: uma coleção de alcance europeu comparável, num contexto de uso residencial permanente — estas salas continuam a ser utilizadas para receções de Estado — que lhes confere uma grandeza habitada ausente da maioria dos museus.

A Capela de São Jorge, construída no século XV no estilo gótico perpendicular tipicamente inglês, é considerada um dos melhores exemplos de arquitetura eclesiástica medieval da Europa. É o local de sepultura de dez monarcas britânicos, entre eles Henrique VIII e a rainha Isabel II, inumada aqui em setembro de 2022. Para os visitantes portugueses e brasileiros, a capela evoca inevitavelmente comparações com o Mosteiro dos Jerónimos em Lisboa — outro espaço de sepultura régia de altíssima ambição arquitetónica, construído na mesma época de expansão imperial, embora no estilo manuelino que é uma das contribuições mais originais de Portugal à história da arquitetura mundial. A capela é também a sede da Ordem da Jarreteira, a distinção cavalheiresca mais antiga e prestigiosa da Grã-Bretanha, fundada por Eduardo III em 1348.

A Casa de Bonecas da Rainha Maria, construída nos anos vinte do século passado à escala 1:12 com contribuições dos principais artistas e artesanos da época, é uma das atrações mais surpreendentes do castelo: um palácio em miniatura perfeitamente funcional, com elevadores, água corrente, eletricidade e uma biblioteca com livros escritos expressamente pelos grandes autores do período, de Rudyard Kipling a Arthur Conan Doyle.

O Long Walk e o Grande Parque de Windsor

Para além das muralhas do castelo estende-se um dos maiores parques reais da Europa. O Grande Parque de Windsor cobre mais de 2.000 hectares de bosques, prados e jardins que se estendem para sul a partir da cidade. O Long Walk é a alameda arborizada de quase cinco quilómetros que liga a Porta de Jorge IV do castelo à estátua equestre de Jorge III — conhecida popularmente como o Copper Horse — no cimo de Snow Hill, oferecendo uma das perspetivas formais mais majestosas de Inglaterra. Para os visitantes portugueses e brasileiros familiarizados com as grandes alamedas reais ibéricas — a Tapada de Mafra, os jardins do Palácio de Queluz ou o Passeio Público do Rio de Janeiro do século XIX — o Long Walk oferece um eco britânico desta tradição de eixo real, mais sóbrio na sua plantação mas igualmente soberano no seu efeito.

O parque alberga também o Savill Garden, considerado um dos mais belos jardins ornamentais da Grã-Bretanha, com coleções excecionais de rododendros, rosas e plantas de bosque em mais de 14 hectares. Os Valley Gardens, menos formalmente mantidos e mais extensos, oferecem quilómetros de passeios através de encostas cobertas de azaleias que na primavera produzem um dos espetáculos de cor natural mais impressionantes do sul de Inglaterra.

Eton e o Tamisa

A poucos centos de metros do castelo, unido por uma passarela pedonal sobre o Tamisa, encontra-se a aldeia de Eton, inteiramente dominada pelo complexo do Eton College. Fundado em 1440 por Henrique VI como escola de caridade para estudantes pobres, Eton formou vinte e um primeiros-ministros britânicos — entre eles Wellington, Gladstone, Macmillan, Blair e Cameron — bem como gerações de figuras que marcaram a cultura e a política mundiais. Para os visitantes portugueses e brasileiros, Eton evoca inevitavelmente comparações com instituições de prestígio próprias — o Colégio Militar em Portugal, o Colégio Pedro II no Rio de Janeiro, ou certas escolas históricas de São Paulo e do Porto — com a diferença de que a influência de Eton sobre a vida política britânica é tão sistemática e documentada que dificilmente encontra paralelo em qualquer sistema educativo democrático. Passear pelas ruas de Eton — com estudantes de fraque preto a circular entre edifícios medievais e renascentistas — é um dos quadros mais tipicamente ingleses que um visitante pode encontrar em qualquer lugar do país.

O Tamisa em Windsor tem um caráter particular: largo, tranquilo, ladeado de propriedades vitorianas e prados fluviais que pouco mudaram desde que Jerome K. Jerome descreveu troços semelhantes em Três Homens num Barco em 1889. O aluguer de barcos está disponível na margem de Windsor no verão, e o percurso rio acima até à comporta de Boveney ou rio abaixo até Datchet oferece vistas do castelo a partir da água que não são acessíveis por nenhuma estrada ou caminho pedonal.

Os pontos fortes de Windsor

O atrativo de Windsor para os visitantes internacionais assenta numa combinação única em Inglaterra. O castelo oferece acesso a uma história real viva de uma profundidade impossível de encontrar noutro lugar — não a fachada cerimonial do Buckingham Palace, mas uma residência que acumulou mil anos de história arquitetónica, artística e política em camadas ainda visivelmente legíveis. A coleção de arte dos Aposentos de Estado justificaria por si só uma visita desde qualquer cidade lusófona.

A Guarda Montada em Windsor tem um caráter distinto da cerimónia mais famosa do Buckingham Palace. O cortejo percorre as ruas da cidade — junto a lojas, cafés e a vida quotidiana — antes de entrar no castelo, o que lhe confere uma intimidade e acessibilidade que a versão londrina não consegue igualar. Para os visitantes brasileiros e portugueses que viram a cerimónia do Buckingham Palace pela televisão, a versão de Windsor revela-se frequentemente uma experiência mais genuinamente próxima.

Windsor é também uma excelente base para explorar a região. O Palácio de Hampton Court, a residência Tudor construída pelo Cardeal Wolsey e confiscada por Henrique VIII, fica a cerca de 20 quilómetros ao longo do Tamisa. O Legoland Windsor, um dos parques temáticos mais visitados do Reino Unido, está a 3 quilómetros do centro da cidade — argumento decisivo para as famílias com crianças. E Heathrow, a 13 quilómetros, torna Windsor a paragem lógica entre o aeroporto e Londres para qualquer itinerário que comece ou termine com um voo desde Portugal ou do Brasil.

Quando visitar Windsor

Primavera (março–maio)

A primavera é uma das melhores alturas para visitar Windsor a partir de Portugal ou do Brasil. Os voos para Heathrow tendem a ser mais económicos do que no verão, o castelo está menos concorrido e o Grande Parque atinge o seu apogeu em abril e maio com a floração das azaleias e rododendros dos Valley Gardens. A luz suave da primavera realça especialmente os tijolos vermelhos do castelo e o verde intenso dos prados reais.

Verão (junho–agosto)

O verão é época alta. O Royal Ascot em junho — realizado no hipódromo de Ascot, a apenas 10 quilómetros de Windsor — é um dos eventos sociais mais glamorosos do calendário britânico. A Cerimónia da Jarreteira em junho é o evento real anual mais significativo em Windsor. As filas no castelo podem ser consideráveis em julho e agosto; a reserva antecipada em linha é muito recomendável. As longas tardes de verão — em junho ainda há luz perto das dez da noite — surpreendem agradavelmente os visitantes portugueses e brasileiros habituados a dias mais curtos.

Outono (setembro–novembro)

Setembro e outubro oferecem um Windsor mais tranquilo e em muitos aspetos mais gratificante do que o pico estival. As cores outonais no Grande Parque — especialmente ao longo do Long Walk e nos Valley Gardens — contam-se entre as mais belas do sul de Inglaterra. Os preços de alojamento baixam, as filas no castelo encurtam e a cidade recupera um ritmo mais autêntico. Novembro é ainda mais calmo, com os interiores do castelo particularmente atmosféricos sob a luz baixa da estação.

Inverno (dezembro–fevereiro)

Windsor no inverno tem um atrativo particular. O castelo iluminado contra um céu invernal, o mercado de Natal no centro histórico e a quietude do Grande Parque numa manhã gelada oferecem uma experiência radicalmente diferente da versão estival da cidade. Janeiro e fevereiro são os meses mais tranquilos do ano, com acesso ao castelo praticamente sem esperas e os preços de alojamento mais baixos — uma opção atraente para uma escapadela de fim de semana prolongado a partir de Lisboa ou Porto, com voos diretos para Heathrow disponíveis durante todo o ano.

Temperaturas médias em Windsor por estação

Inverno (dezembro–fevereiro): as temperaturas oscilam entre 2 °C e 7 °C. A geada é possível, a chuva frequente e os dias curtos. Roupa impermeável e em camadas é indispensável.

Primavera (março–maio): as temperaturas sobem progressivamente de 7 °C para 15 °C. Abril e maio trazem dias notavelmente mais longos e maior luminosidade, com aguaceiros ocasionais.

Verão (junho–agosto): as temperaturas médias vão de 17 °C a 23 °C, com pontas ocasionais de 28 °C ou mais em períodos de calor. O clima é geralmente agradável e soalheiro.

Outono (setembro–novembro): as temperaturas descem de cerca de 17 °C em setembro para 7 °C em novembro. As precipitações aumentam a partir de outubro; um guarda-chuva compacto é recomendável a partir desta época.

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